Prótese de Joelho Unicompartimental: O Guia Definitivo sobre Mobilidade e Recuperação em Atividades Diárias
Você já sentiu que a dor no joelho está limitando as tarefas mais simples do seu dia, como subir uma escada ou levantar da cadeira? Para muitos que sofrem de osteoartrite isolada, a Artroplastia Unicompartimental do Joelho (UKA) surge como uma solução moderna e menos invasiva.Mas como fica a movimentação real após a cirurgia? Um novo estudo de revisão mapeou como os pacientes se comportam em atividades do cotidiano, revelando dados essenciais para médicos e pacientes que buscam uma recuperação plena.
Lino Matias
3/19/20263 min read


O que é a Artroplastia Unicompartimental do Joelho (UKA)?
A UKA, também conhecida como "prótese parcial", foca em substituir apenas a parte danificada do joelho, preservando os ligamentos naturais, como o cruzado anterior (LCA).
Principais benefícios da técnica UKA:
Recuperação acelerada: Por ser menos invasiva, permite um retorno mais rápido às funções.
Preservação de tecidos: Mantém a maior parte da anatomia original do paciente.
Melhor função mecânica: Em muitos casos, oferece uma sensação mais "natural" de movimento comparada à prótese total.
Atividades de Vida Diária (ADL): O verdadeiro teste da cirurgia
A ciência agora olha além da simples caminhada em linha reta. O foco atual é como o joelho operado responde a situações de carga e flexão extrema.
1. Subir e Descer Escadas: O desafio número um
Subir escadas é frequentemente a primeira tarefa afetada pela osteoartrite e a mais estudada na biomecânica pós-cirúrgica.
Cinemática: Estudos mostram que a UKA pode restaurar uma função muito próxima do normal, permitindo uma simetria adequada entre as pernas.
Adaptações Protetoras: Alguns pacientes ainda mantêm "estratégias de proteção", reduzindo a carga no implante para evitar desconfortos.
2. Atividades de Alta Flexão: Agachamentos e Lunges
Tarefas que exigem dobrar muito o joelho, como agachar (squat) ou fazer o movimento de avanço (lunge), são essenciais para a independência.
Flexão Máxima: A maioria das pesquisas foca na duração do agachamento e no ângulo máximo alcançado, buscando garantir que o paciente consiga realizar tarefas domésticas sem restrições.
Sentar e Levantar: Embora crucial, ainda existem poucos estudos modernos focados especificamente no movimento de sentar e levantar para pacientes de prótese parcial.
3. Caminhada em Planos Inclinados e Equilíbrio
Andar em subidas, descidas ou em esteiras com inclinação testa a estabilidade do novo joelho.
Controle de Equilíbrio: Pacientes com UKA apresentam melhoras significativas no equilíbrio dinâmico, embora o controle em uma perna só ainda possa apresentar pequenas diferenças em relação a pessoas saudáveis.
Prótese de Rolamento Fixo vs. Móvel: Existe diferença?
O estudo revisou diferentes designs de próteses para entender se o tipo de componente influencia no resultado clínico.
Fixed-bearing (Rolamento Fixo): Foi o design mais avaliado, com 73% de presença nos estudos, demonstrando resultados sólidos e confiáveis.
Mobile-bearing (Rolamento Móvel): Representou 25% dos casos, sendo muito associado a atividades de alta demanda funcional, como agachamentos profundos.
Como medir o sucesso da sua cirurgia?
Além dos sensores de movimento usados em laboratórios (biomecânica), existem os PROMs — medidas relatadas pelo próprio paciente através de questionários.
Os dois métodos mais utilizados mundialmente para validar o sucesso da UKA são:
Oxford Knee Score (OKS): Foca na dor e funcionalidade percebida pelo paciente.
Knee Society Score (KSS): Uma avaliação mista entre a percepção do paciente e a análise do cirurgião.
Combinar a sensação subjetiva do paciente com dados objetivos de movimento é o "padrão ouro" para garantir que a prótese está funcionando perfeitamente.
O que a ciência recomenda para o futuro?
Embora os resultados da UKA sejam excelentes no curto prazo, a ciência aponta caminhos para melhorar ainda mais o cuidado:
Acompanhamento de Longo Prazo: É necessário observar como o joelho se comporta após 5 ou 10 anos de uso intenso em atividades diárias.
Foco na Lateral: A maioria das pesquisas foca no lado medial (interno) do joelho; mais estudos sobre o lado lateral são fundamentais.
Reabilitação Personalizada: Entender os "mecanismos de compensação" ajuda fisioterapeutas a criar treinos específicos para cada tipo de movimento deficitário.
Conclusão: De volta ao movimento
A cirurgia de prótese unicompartimental não é apenas sobre "trocar uma peça", mas sobre devolver a liberdade de movimento. Se você está considerando este procedimento, converse com seu ortopedista sobre como a biomecânica das suas atividades diárias pode ser restaurada para que você viva sem limitações.
REFERÊNCIA: M'barki H, Lardjane AY, Wallard L, Gagnon M, Belzile EL, Turcot K. Biomechanical and clinical assessments of activities of daily living following unicompartmental knee arthroplasty: A scoping review. Clin Biomech (Bristol). 2025 Jun;126:106564. doi: 10.1016/j.clinbiomech.2025.106564. Epub 2025 May 15. PMID: 40398176.