Supino Reto: Qual a Melhor Forma de Testar sua Carga Máxima (1RM)? Ciência Revela a Verdade!
Você já se perguntou exatamente quanto peso consegue levantar no supino reto para apenas uma repetição? Essa medida, conhecida como 1RM (uma repetição máxima), é o "padrão-ouro" para medir a força da parte superior do corpo. Seja você um atleta de elite ou um entusiasta da musculação, saber o seu 1RM é fundamental para prescrever cargas de treino de forma precisa e monitorar sua evolução. No entanto, muitos têm receio de testar sua carga máxima devido ao risco de lesão ou por não saberem qual protocolo seguir. Recentemente, um estudo científico publicado em 2024 na revista Sports trouxe revelações surpreendentes sobre os diferentes métodos de teste. A pesquisa comparou protocolos rígidos de laboratório com uma abordagem onde o próprio atleta escolhe seus pesos. O resultado? Você pode ter muito mais liberdade do que imagina.
Lino Matias
1/19/20264 min read


O Que é o Teste de 1RM e Por Que Ele é Vital no Treinamento de Força?
O 1RM representa a carga máxima que você consegue mover em um exercício com a técnica perfeita para uma única repetição. Ele é a base para a maioria dos programas de treinamento periodizados.
Quando um treinador diz para você treinar com "80% da carga máxima", ele está se referindo a uma porcentagem do seu 1RM. Sem esse valor, o treino se baseia em suposições, o que pode levar à estagnação ou ao excesso de treinamento (overtraining).
Além da performance esportiva, o teste de 1RM é usado por pesquisadores para avaliar a eficácia de suplementos e dietas. Até na área clínica, a força máxima é um indicador de saúde e longevidade.
Protocolos de Teste: Tradicional vs. Autogestionado
A ciência clássica sempre defendeu protocolos rígidos. O estudo de 2024 liderado por Matthew T. Stratton comparou três abordagens distintas com 24 adultos treinados:
1. Protocolo NSCA (Padrão de Ouro)
Este método segue as diretrizes da National Strength and Conditioning Association. Ele envolve uma progressão calculada:
Aquecimento com cargas leves (40-60% do estimado).
Aumentos graduais de carga com descansos fixos.
Monitoramento constante da percepção de esforço (RPE).
2. Protocolo de Klemp
Uma variação estruturada que utiliza séries específicas de 5, 3 e 2 repetições com cargas crescentes (20%, 50%, 75% e 85%) antes de tentar o 1RM. É um método muito comum em laboratórios de performance.
3. Protocolo de Auto-Seleção (SS)
Aqui está a grande novidade. Neste método, os participantes tiveram total liberdade para escolher seus pesos de aquecimento, o número de séries e o tempo de descanso (até 5 minutos). Os pesquisadores não deram nenhuma instrução sobre a carga.
O Que a Ciência Descobriu: Qual Método Venceu?
Se você esperava que um protocolo fosse superior aos outros, a ciência traz uma boa notícia para a sua autonomia: não houve diferença significativa nos resultados de 1RM entre os três métodos.
Isso significa que, para indivíduos já acostumados com a musculação, a forma como você chega ao seu peso máximo não altera o resultado final da carga levantada. Se você prefere um aquecimento mais longo ou mais curto, o seu 1RM será praticamente o mesmo.
Principais Achados do Estudo:
Carga Máxima: A força total levantada foi idêntica, independentemente do protocolo.
Fadiga Muscular: O método utilizado não afetou o desempenho em séries posteriores (como realizar repetições até a falha com 80% da carga).
Esforço Percebido: Mesmo no protocolo livre, os atletas sentiram um nível de esforço similar aos protocolos de laboratório.
Cinética da Barra: A velocidade com que a barra subiu e a potência gerada foram consistentes entre os testes.
Homens vs. Mulheres: Existem Diferenças na Velocidade da Barra?
Um ponto fascinante da pesquisa foi a análise de gênero. Embora os homens tenham levantado cargas absolutas maiores e gerado mais potência, as mulheres apresentaram uma característica técnica interessante.
As mulheres demonstraram uma velocidade concêntrica média (ACV) significativamente maior no momento do 1RM. Em termos simples: as mulheres conseguem mover a barra mais rápido durante sua carga máxima comparado aos homens.
Essa informação é crucial para quem utiliza o Treinamento Baseado em Velocidade (VBT). Coaches devem estar atentos que o "ponto de ruptura" (a velocidade mínima antes de falhar) pode ser diferente entre os sexos no supino reto.
Benefícios de Usar a Tecnologia de Velocidade da Barra (VBT)
O estudo utilizou transdutores lineares para medir a velocidade da barra. Essa tecnologia está revolucionando as academias por vários motivos:
Precisão: Ajuda a prever o 1RM sem que você precise chegar à falha total.
Segurança: Se a velocidade da barra cair abaixo de um certo nível, você sabe que é hora de parar.
Ajuste Diário: Se você está cansado, a velocidade da barra será menor, e o VBT permite ajustar a carga do dia automaticamente (autoregulação).
Como Testar Seu 1RM no Supino com Segurança
Se você planeja descobrir sua carga máxima, siga estas orientações baseadas nas evidências científicas:
Tenha um Spotter: Nunca teste seu 1RM no supino sozinho. Um ajudante treinado é essencial para sua segurança.
Aquecimento Específico: Realize movimentos dinâmicos e séries leves com a barra vazia antes de subir os pesos.
Descanso é Chave: O estudo mostrou que descansos de 3 a 5 minutos entre as tentativas de carga máxima são ideais para a recuperação do sistema nervoso central.
Técnica em Primeiro Lugar: Os glúteos e as escápulas devem permanecer em contato com o banco, e os pés firmes no chão. Se a técnica quebrar, o teste acabou.
Limite as Tentativas: Tente encontrar seu 1RM em no máximo 3 a 5 tentativas reais após o aquecimento para evitar a fadiga excessiva.
Impacto na Performance e Recuperação
Muitos atletas evitam testar o 1RM por medo de que isso arruíne o restante do treino. No entanto, o estudo de Stratton et al. mostrou que, após 5 minutos de descanso do teste de 1RM, os participantes conseguiram realizar séries de resistência (80% da carga) sem perda de performance.
Isso prova que o sistema neuromuscular de indivíduos treinados é resiliente. O teste de força máxima, quando bem periodizado, não causa uma fadiga residual imediata que impeça a continuidade de uma sessão de hipertrofia ou resistência.
Conclusão: A Autonomia é Sua Melhor Aliada
A grande lição deste estudo de 2024 é que a experiência do atleta importa. Se você já tem vivência na musculação, seguir um protocolo de laboratório engessado ou escolher seu próprio caminho de aquecimento trará resultados de força similares.
A ciência valida a sua intuição. O mais importante não é a ordem exata das séries de aquecimento, mas sim a consistência técnica e a segurança durante o levantamento.
Agora que você sabe que os métodos são igualmente eficazes, que tal planejar seu próximo teste de carga máxima? Use a ciência a seu favor e leve sua performance no supino reto para o próximo nível!
REFERÊNCIA: Stratton MT, Massengale AT, Clark RA, Evenson-McMurtry K, Wormely M. A Comparison of Three Protocols for Determining Barbell Bench Press Single Repetition Maximum, Barbell Kinetics, and Subsequent Measures of Muscular Performance in Resistance-Trained Adults. Sports (Basel). 2024 Dec 3;12(12):334. doi: 10.3390/sports12120334. PMID: 39728874; PMCID: PMC11679921.