Funcional ou Musculação Tradicional? Descubra o Poder da Via AMPK/Irisina para Transformar seu Corpo
Você já se perguntou se é melhor passar horas levantando pesos pesados na academia ou apostar em movimentos funcionais com mais repetições? Essa é uma dúvida comum entre entusiastas do fitness e atletas. Um estudo científico recente, publicado na conceituada revista Environmental Health and Preventive Medicine, trouxe respostas reveladoras sobre como o nosso corpo reage a diferentes tipos de estímulos. Neste artigo, vamos mergulhar nos detalhes dessa pesquisa e entender como o treinamento de resistência funcional e o tradicional impactam sua saúde e seus músculos de formas surpreendentes.
Lino Matias
1/5/20264 min read


O que a Ciência diz sobre o Treinamento de Resistência?
O treinamento de resistência é, comprovadamente, uma das melhores ferramentas para melhorar a aptidão muscular e a saúde metabólica. No entanto, a forma como treinamos faz diferença.
O estudo em questão analisou jovens entre 19 e 28 anos, sem experiência prévia, submetendo-os a dois protocolos distintos durante seis semanas.
O objetivo era claro: entender as respostas moleculares agudas (logo após o treino) e crônicas (após o período de intervenção) de cada modalidade.
Treinamento de Resistência Funcional (FRT) vs. Tradicional (TRT)
Para que você entenda qual se adapta melhor ao seu perfil, precisamos definir como cada um foi aplicado no estudo:
Treinamento de Resistência Funcional (FRT)
Intensidade: Baixa carga (40% de 1RM).
Volume: Alto número de repetições (20 RM).
Foco: Movimentos que mimetizam atividades do dia a dia ou esportivas, focando em coordenação e resistência.
Séries: 4 a 5 séries por exercício.
Treinamento de Resistência Tradicional (TRT)
Intensidade: Carga moderada a alta (70% de 1RM).
Volume: Número moderado de repetições (12 RM).
Foco: Hipertrofia e força bruta, geralmente com movimentos isolados ou multiarticulares clássicos.
Séries: 4 a 5 séries por exercício.
A Via de Sinalização AMPK/PGC-1α/Irisina: O Segredo da Transformação
O grande diferencial deste estudo foi olhar para o que acontece "debaixo da pele". Os pesquisadores focaram em uma via metabólica específica.
A via AMPK/PGC-1α/Irisina funciona como um interruptor mestre para o metabolismo energético e a saúde das células musculares.
O Papel da AMPK e PGC-1α
A AMPK é frequentemente chamada de "sensor de energia" da célula. Ela é ativada quando o músculo percebe que a energia está baixando durante o exercício.
Já a PGC-1α é a proteína responsável por avisar o corpo que ele precisa produzir mais mitocôndrias, as nossas "fábricas de energia".
A Irisina: O Hormônio do Exercício
A grande estrela da via é a Irisina. Esta miocina é liberada pelo músculo durante a atividade física e tem funções incríveis:
Ajuda na queima de gordura (escurecimento do tecido adiposo branco).
Melhora a sensibilidade à insulina.
Auxilia na proteção do sistema nervoso.
Contribui para a saúde óssea.
Resultados: O que acontece após 6 semanas de treino?
Os resultados do estudo foram extremamente positivos para ambos os grupos, mostrando que não existe um "perdedor" quando o assunto é se exercitar.
Melhora na Aptidão Muscular
Tanto o grupo funcional (FRT) quanto o tradicional (TRT) apresentaram melhoras significativas na força muscular e na resistência.
Isso prova que, para iniciantes, tanto cargas baixas com muitas repetições quanto cargas altas com menos repetições são eficazes para o ganho de condicionamento.
Impacto na Liberação de Irisina
Um dos achados mais interessantes foi que ambos os tipos de treinamento aumentaram os níveis de Irisina no sangue, tanto de forma aguda quanto crônica.
Isso significa que, independentemente da sua escolha de treino, você estará ativando essa via protetora que ajuda a combater doenças metabólicas.
Principais Benefícios Observados no Estudo
Para facilitar a visualização do impacto desse estudo na sua rotina, listamos os principais benefícios encontrados:
Aumento da Força: Melhora consistente em exercícios como supino e leg press.
Resposta Molecular Rápida: Mesmo uma única sessão de treino já ativa a sinalização de saúde nas células.
Saúde Metabólica: Redução do risco de resistência à insulina através da ativação da via AMPK.
Versatilidade: Você pode escolher o método que mais gosta sem medo de estar "perdendo tempo".
Treino Funcional ou Tradicional: Qual Escolher?
A escolha entre o treinamento funcional e o tradicional deve depender dos seus objetivos pessoais e de como você se sente mais motivado.
Escolha o Funcional se você busca:
Melhorar o equilíbrio e a coordenação motora.
Treinar em casa ou com pouco equipamento (usando o peso do corpo ou elásticos).
Ganhar resistência muscular para atividades do cotidiano.
Evitar sobrecargas articulares muito elevadas.
Escolha o Tradicional se você busca:
Aumentar o volume muscular (hipertrofia) de forma mais direcionada.
Focar em recordes de força bruta.
Trabalhar grupos musculares de forma isolada para corrigir assimetrias.
Um ambiente de academia com máquinas que guiam o movimento.
Como Aplicar Esses Conhecimentos na sua Rotina de Treino
Se você quer otimizar seus resultados baseando-se na ciência, considere as seguintes dicas práticas:
Frequência é Fundamental: O estudo utilizou uma frequência de 3 dias por semana. A constância é o que permite a adaptação crônica.
Não Tenha Medo das Repetições: Se você não gosta de pegar muito peso, o treino de 20 repetições (funcional) mostrou-se excelente para a saúde celular.
Varie os Estímulos: Você pode intercalar semanas de treino funcional com semanas de treino tradicional para manter o corpo desafiado.
Aqueça Adequadamente: A ativação aguda da via AMPK começa logo no início do esforço, então prepare seus músculos.
Conclusão: O Importante é a Resistência
O estudo "Acute and chronic functional and traditional resistance training improve muscular fitness via the AMPK/PGC-1α/irisin signaling pathway" deixa uma mensagem poderosa.
O segredo para uma vida longa e um corpo saudável não está necessariamente na carga que você levanta, mas no estímulo constante que você dá aos seus músculos.
Ao ativar a via da Irisina, você não está apenas ficando mais forte; você está protegendo seu coração, seu cérebro e seu metabolismo de forma profunda.
Seja no funcional ou na musculação clássica, o importante é começar. Seu corpo e sua saúde molecular agradecem cada repetição realizada!
REFERÊNCIA: Zuo C, Ma X, Ye C, Zheng Z, Bo S. Acute and chronic functional and traditional resistance training improve muscular fitness in young males via the AMPK/PGC-1α/irisin signaling pathway. Environ Health Prev Med. 2023;28:69. doi: 10.1265/ehpm.23-00146. PMID: 37967946; PMCID: PMC10654215.