Bandas e Correntes: O Segredo Científico para Maximizar sua Força e Superar Estagnações
Você já sentiu que, por mais que se esforce na academia, seus ganhos de força parecem ter atingido um teto? Esse fenômeno é comum e muitas vezes está ligado à forma como os pesos tradicionais desafiam seus músculos. Muitos atletas e entusiastas do fitness dependem exclusivamente do treinamento de resistência constante (CRT), como levantar halteres ou barras comuns. No entanto, a ciência aponta que existe um método superior para quem busca atingir o ápice do desempenho: o Treinamento de Resistência Variável (VRT). Uma meta-análise recente, que revisou 14 estudos com mais de 400 participantes, revelou que o uso de elásticos e correntes pode ser a chave para desbloquear novos níveis de força máxima. Neste artigo, vamos mergulhar nos detalhes dessa descoberta e entender como você pode aplicar isso ao seu treino.
Lino Matias
1/16/20264 min read


O que é o Treinamento de Resistência Variável (VRT)?
O treinamento de resistência variável, também conhecido como treinamento de resistência acomodativa, envolve o uso de ferramentas como bandas elásticas ou correntes presas aos pesos tradicionais. Ao contrário dos pesos comuns, onde a carga permanece a mesma durante todo o movimento, no VRT a carga muda.
Isso significa que o exercício se torna mais pesado à medida que você se aproxima do final da fase concêntrica (quando você empurra ou levanta o peso). Essa variação permite que o treinamento se alinhe melhor com a sua curva de força natural, otimizando o estímulo muscular em todas as amplitudes de movimento.
Por que os pesos comuns têm limites? O Problema do "Sticking Point"
No treinamento tradicional com carga constante, você frequentemente é limitado pelo chamado "ponto de estagnação" ou sticking point. Este é o ponto mais fraco de um movimento (como a parte inferior de um agachamento), onde o músculo não consegue gerar força máxima de maneira eficiente.
Se a carga for muito pesada para esse ponto, você falha. Se for leve o suficiente para superá-lo, o restante do movimento acaba sendo fácil demais para as partes onde você é naturalmente mais forte. O VRT resolve esse dilema:
Reduz a resistência na fase mais fraca do movimento.
Aumenta a carga nas fases onde seus músculos têm maior vantagem mecânica.
Promove uma tensão constante, mantendo os músculos ativos por mais tempo.
A Ciência por trás da Força: O que diz o Meta-Estudo?
A pesquisa publicada no International Journal of Environmental Research and Public Health consolidou dados de diversos estudos intercontinentais realizados entre 2008 e 2021. O objetivo era claro: comparar o impacto do VRT versus o treinamento constante (CRT) na força máxima (1RM).
Os resultados foram impressionantes. O estudo concluiu que o treinamento de resistência variável proporcionou melhorias significativamente maiores na força máxima em comparação ao treinamento tradicional. Isso foi observado tanto em exercícios fundamentais como o agachamento (squat), supino (bench press) e levantamento terra (deadlift).
Mecanismos de adaptação neuromuscular
O ganho superior de força com o VRT não acontece por acaso. Ele está ligado a adaptações profundas no sistema nervoso e muscular:
Aumento do recrutamento de unidades motoras: O cérebro aprende a ativar mais fibras musculares simultaneamente.
Melhoria na taxa de disparo: Os sinais nervosos para os músculos tornam-se mais rápidos e intensos.
Maior estímulo na fase excêntrica: O uso de elásticos mantém a tensão durante a descida do peso, aumentando o ciclo de alongamento-encurtamento do músculo.
Estratégias para Atletas e Praticantes Avançados (Trained)
Para quem já tem experiência com musculação, o estudo trouxe uma recomendação específica para maximizar os resultados. Em indivíduos treinados, o VRT mostrou-se muito mais eficaz quando utilizado com cargas elevadas.
Se você já é um frequentador assíduo da academia, considere as seguintes diretrizes baseadas na meta-análise:
Intensidade ideal: Utilize cargas de 80% ou mais do seu 1RM (uma repetição máxima).
Substituição parcial: Uma parte da carga total deve vir de elásticos ou correntes para garantir a resistência variável.
Foco em explosão: O VRT favorece a aceleração compensatória, permitindo que você aplique força máxima durante todo o trajeto da barra.
Curiosamente, quando atletas treinados usaram cargas menores que 80% do 1RM, a diferença entre o VRT e o treinamento comum foi insignificante. Portanto, para o público avançado, a intensidade é o fator determinante.
Começando com o Pé Direito: Dicas para Iniciantes (Untrained)
Se você está começando agora ou não tem uma base sólida de treinamento de resistência, a boa notícia é que o VRT também é para você, mas com uma abordagem diferente.
O estudo revelou que pessoas sem experiência prévia tiveram ganhos extraordinários de força usando o VRT com cargas moderadas. Diferente dos atletas de elite, os iniciantes se beneficiam mais de intensidades menores:
Carga recomendada: Foque em intensidades abaixo de 80% do seu 1RM.
Adaptação motora: O uso de elásticos cria uma instabilidade apropriada que ajuda a desenvolver o controle muscular inicial.
Menor risco, maior ganho: Essa abordagem permite evoluir na força máxima sem sobrecarregar excessivamente as articulações antes que o corpo esteja preparado.
Além da Força: Benefícios na Reabilitação e Prevenção
O treinamento de resistência variável não serve apenas para levantar mais peso em competições de powerlifting ou weightlifting. Ele possui aplicações práticas valiosas na saúde geral e recuperação de lesões.
Como o VRT reduz a carga nas posições articulares mais vulneráveis (o início do movimento), ele é frequentemente utilizado em protocolos de reabilitação pós-operatória. Além disso, a tensão constante durante a fase excêntrica ajuda a fortalecer tecidos conectivos, o que pode prevenir futuras lesões musculares.
Benefícios adicionais do VRT incluem:
Melhoria em saltos e sprints: A força máxima está diretamente ligada à potência necessária para correr mais rápido e pular mais alto.
Versatilidade: Bandas elásticas são leves e podem ser levadas para qualquer lugar, permitindo manter o estímulo de força fora da academia convencional.
Quebra de monotonia: Introduzir correntes e bandas renova a motivação e oferece um novo desafio psicológico e físico ao treino.
Conclusão: Como aplicar o VRT na sua rotina?
A ciência é clara: se o seu objetivo é ganhar força máxima, o treinamento de resistência variável (VRT) oferece uma vantagem competitiva real sobre o treinamento de carga constante. Ao superar o ponto de estagnação e recrutar mais fibras musculares, você garante que cada repetição seja verdadeiramente produtiva.
Resumo prático para o seu treino:
Se você é experiente: Use elásticos ou correntes com cargas pesadas (acima de 80% do seu máximo) em exercícios como agachamento e supino.
Se você é iniciante: Comece com resistência variável usando cargas mais leves (abaixo de 80% do máximo) para ganhar confiança e força motora.
Consistência: Integre o VRT em ciclos de treinamento de 6 a 12 semanas para observar as adaptações neuromusculares sólidas descritas nos estudos.
Agora que você conhece o embasamento científico, que tal adicionar algumas bandas elásticas à sua próxima sessão de treino? Sua força máxima agradece!
REFERÊNCIA: Lin Y, Xu Y, Hong F, Li J, Ye W, Korivi M. Effects of Variable-Resistance Training Versus Constant-Resistance Training on Maximum Strength: A Systematic Review and Meta-Analysis. Int J Environ Res Public Health. 2022 Jul 13;19(14):8559. doi: 10.3390/ijerph19148559. PMID: 35886409; PMCID: PMC9317775.